Você está cobrando mudança ou tentando controlar?

Em muitos relacionamentos, existe um momento em que a mulher começa a sentir que precisa fazer o parceiro mudar.

Ele deveria ser mais responsável.
Deveria demonstrar mais.
Deveria gastar menos.
Deveria participar mais da casa.
Deveria pensar no futuro.
Deveria agir de determinada maneira.

E algumas dessas cobranças podem ser completamente legítimas. Afinal, um relacionamento também envolve expectativas, acordos, responsabilidades e limites.

Mas existe uma diferença importante entre cobrar uma mudança necessária e tentar controlar o outro.

Quando a cobrança nasce da insegurança

Nem sempre o desejo de controlar aparece porque a pessoa é simplesmente “controladora”.

Às vezes, ele aparece porque existe insegurança na relação.

Quando você não confia completamente que o parceiro vai agir de determinada maneira, pode começar a tentar garantir o resultado.

Você lembra.
Insiste.
Confere.
Corrige.
Explica novamente.
Antecipar problemas passa a fazer parte da rotina.

E, quanto mais insegura você se sente, maior pode ser a necessidade de controlar.

O raciocínio costuma ser mais ou menos assim:

“Se eu não ficar em cima, ele não vai fazer.”

“Se eu deixar por conta dele, vai dar errado.”

“Se eu não cobrar, ele não vai perceber.”

O problema é que, nesse processo, você pode acabar assumindo uma função que não deveria ser sua: administrar o comportamento de um adulto.

Cobrar não é controlar

Imagine que o casal tenha combinado que determinadas tarefas seriam divididas.

Se uma pessoa não cumpre repetidamente aquilo que foi combinado, conversar sobre isso, expressar insatisfação e estabelecer consequências é uma forma saudável de se posicionar.

Mas existe outra possibilidade.

Você percebe que ele não fez e começa a lembrar.

Depois lembra de novo.

Depois explica como deveria ser feito.

Depois acompanha para ter certeza de que ele fez.

Depois reclama porque ele só fez porque você pediu.

Perceba a armadilha.

Você queria que ele assumisse responsabilidade, mas acabou assumindo a responsabilidade por fazer com que ele assuma responsabilidade.

E isso pode criar um ciclo bastante desgastante.

Quanto mais você controla, menos o outro precisa se responsabilizar

Quando uma pessoa passa a monitorar constantemente o comportamento do parceiro, pode acontecer uma dinâmica curiosa.

Ela se sente sobrecarregada porque precisa cuidar de tudo.

Ao mesmo tempo, o outro pode se acomodar porque sabe que alguém irá lembrar, cobrar, organizar ou corrigir.

Então ela pensa:

“Está vendo? Se eu não fizer, nada acontece.”

E ele pode pensar:

“Ela reclama de tudo mesmo, então é melhor deixar que ela resolva.”

O relacionamento começa a funcionar em torno de cobrança e resistência, em vez de parceria.

E existe uma pergunta ainda mais difícil

Antes de tentar mudar o comportamento do parceiro, talvez seja importante perceber o que você acredita que aconteceria se não pudesse controlá-lo.

Porque, às vezes, a necessidade de controlar não está apenas relacionada ao comportamento dele.

Está relacionada ao medo do que esse comportamento significa para você.

Se ele não demonstra carinho, você pode pensar que não é importante para ele.

Se ele não se organiza financeiramente, pode surgir o medo de que o futuro de vocês esteja em risco.

Se ele não toma iniciativa, pode aparecer a sensação de que você está sozinha dentro da relação.

Nesse caso, a tentativa de controlar pode ser uma tentativa de diminuir uma sensação muito mais profunda: a insegurança.

Mas você não precisa escolher entre aceitar tudo e controlar tudo

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

Perceber que você está tentando controlar não significa que precisa simplesmente “deixar para lá”.

Existem comportamentos do parceiro que realmente precisam ser conversados.

Existem limites que precisam ser estabelecidos.

Existem responsabilidades que precisam ser divididas.

E existem situações em que uma mudança é necessária para que o relacionamento continue saudável.

A questão é outra:

Você está comunicando claramente aquilo que precisa ou tentando garantir que o outro faça exatamente o que você quer?

Você pode dizer:

“Isso é importante para mim. Eu preciso que essa responsabilidade seja compartilhada.”

Mas não pode obrigar o outro a se tornar responsável.

Você pode estabelecer um limite.

Pode comunicar uma consequência.

Pode decidir o que aceita ou não aceita em um relacionamento.

Mas existe uma parte que pertence ao outro: a escolha de mudar.

Talvez o controle esteja tentando fazer o trabalho da confiança

Relacionamentos exigem uma dose de vulnerabilidade.

Você nunca terá controle absoluto sobre as escolhas do outro.

Pode conversar, observar atitudes, estabelecer limites e tomar decisões. Mas não pode controlar completamente quem a outra pessoa será.

E talvez seja justamente aí que algumas mulheres encontrem uma dificuldade importante:

quando não conseguem confiar no parceiro, tentam controlar o parceiro.

Só que controle não produz necessariamente segurança.

Às vezes, ele apenas produz a sensação temporária de que tudo está sob controle.

A segurança construída em um relacionamento saudável vem de outro lugar: coerência, responsabilidade, diálogo, limites e atitudes que permitem que a confiança seja construída ao longo do tempo.

Por isso, antes de perguntar apenas “Como faço meu parceiro mudar?”, talvez seja necessário olhar para a própria dinâmica da relação.

Você está cobrando uma mudança que realmente precisa acontecer ou tentando controlar o outro porque não se sente segura o suficiente para confiar?

Essa diferença pode mudar completamente a forma como você se posiciona dentro do relacionamento.

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