O pai é realmente desnecessário no parto? A ciência e a experiência mostram o contrário.

Durante muito tempo, a figura do pai foi tratada como alguém que apenas esperava do lado de fora da maternidade. Hoje sabemos que isso está longe da realidade.

Recentemente, uma jornalista afirmou que a presença do pai no parto seria “inútil” e até “nojenta”. A repercussão foi enorme. Mais do que uma polêmica, essa fala revela uma visão muito limitada sobre o papel da paternidade.

Eu tive a oportunidade de acompanhar o nascimento da minha segunda filha. Foram cerca de vinte horas de trabalho de parto. Entre massagens, incentivo, idas ao centro de parto, noites sem dormir e muita expectativa, aprendi uma coisa: o pai não está ali para substituir ninguém. Ele está ali para sustentar.

A presença também é uma forma de cuidado

Muitos homens acreditam que precisam resolver problemas para serem úteis.

No parto, isso simplesmente não acontece.

Você não pode tirar a dor.

Você não pode acelerar o nascimento.

Você não controla praticamente nada.

Mas pode oferecer algo extremamente valioso: presença.

Segurar a mão.

Olhar nos olhos.

Transmitir segurança.

Lembrar que ela não está sozinha.

Às vezes, a maior demonstração de amor não é fazer alguma coisa. É permanecer ali quando não há nada para fazer além de estar presente.

O que a psicologia mostra?

Diversos estudos apontam que a presença de um acompanhante de confiança durante o parto está associada a benefícios importantes para a mulher, como:

  • menor ansiedade;
  • maior sensação de segurança;
  • melhor experiência emocional com o parto;
  • maior satisfação com todo o processo.

Quando esse acompanhante é um parceiro presente e envolvido, o nascimento também passa a ser um momento de fortalecimento do vínculo familiar.

O pai não é protagonista do parto.

Mas pode ser um protagonista no cuidado.

A paternidade começa antes de levar o bebê para casa

Muita gente imagina que ser pai começa quando nasce o bebê.

Na prática, começa muito antes.

Começa quando o homem escolhe estar presente.

Quando participa das consultas.

Quando aprende sobre gestação.

Quando enfrenta noites mal dormidas.

Quando troca fraldas.

Quando apoia emocionalmente a mãe.

Quando entende que, por um tempo, o mundo deixa de girar ao redor dele.

Essa talvez seja uma das primeiras grandes transformações da paternidade: perceber que amar também significa servir.

Estar presente muda o homem

Como psicólogo, vejo muitos homens que cresceram sem uma referência paterna saudável.

Alguns tiveram pais ausentes.

Outros tiveram pais fisicamente presentes, mas emocionalmente distantes.

Quando um homem decide viver a paternidade de forma diferente, ele não está apenas educando um filho.

Está interrompendo um ciclo.

Cada troca de fralda, cada madrugada acordado, cada abraço e cada momento de presença ajudam a construir uma nova história para aquela família.

O pai não precisa ser perfeito

Nenhum pai acerta sempre.

O que faz diferença não é a perfeição.

É a disponibilidade.

Filhos dificilmente se lembrarão de quantos presentes receberam.

Mas costumam lembrar de quem esteve presente quando realmente precisavam.

E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades e também um dos maiores privilégios da paternidade.


Você teve um pai presente? Ou está tentando construir uma história diferente com seus filhos? Compartilhe sua experiência nos comentários. Sua história pode encorajar outras famílias.

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